Tudo bem que ele apanhava da mulher.
Márcia era linda e jurava não fazer de novo.
Em certos momentos, só os fones de ouvido podem libertá-lo do mundo exterior.
O interior domina-o completamente.Foto: Ian Britton
Depois dos oitenta anos, ele não gostava mais de nada.
A idade lhe irritava. De que servia o ócio agora, se nada podia fazer.
Acordou do cochilo com o cheiro de mel, açúcar mascavo, ou seria canela? Como os biscoitos que sua mãe fazia.
Um medo percorreu-lhe as costas. Estaria morto?
Levantou-se com dificuldade e foi até a cozinha.
Quem era aquela de vestido rosa, com o antigo livro de receitas?
- Oi vovô, vim fazer uma surpresa de Natal.
Que boca que ele tinha!
Ela podia ouvi-lo falar por noites inteiras, sem piscar, sem se mexer.
Assustava-se quando ele fazia uma pergunta inesperada.
Nos dias de prova era quase impossível concentrar-se, mas aquele dez, foi sim, só para chamar sua atenção.Foto: Ian Britton
O neto tinha mais medo da avó do que das bruxas dos seus livros.
O chapéu era menor mas as maldades – muito maiores.
Lotado.
De quem seria aquela mão suave e quente.
Marília sentiu com prazer – como era durinha a bunda do canalha do seu chefe.
Casou princesa.
Morreu bruxa.
Os duendes chorando na beira do caixão.
O marido transformado em dragão.Foto: Marjolein Briton
Para ele bastava um beijo.
Ela não – queria mais. Muito mais.
Sua boca, seu corpo, e sua vida.Foto: Marjolein Bastin
Quando botou o anúncio na rádio, não esperava ter a bolsa devolvida. Tudo estava no lugar, mais um bilhete do ladrão:
- Quero só uma chance, te observo há dias.
Vamos sair para dançar?Foto: Marjolein Bastin