MInicontando é um lugar para inventar histórias!
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Para cuidar do coração tinha o cardiologista, dos ossos o ortopedista, da pele o dermatologista, faltava um que o enxergasse como um corpo inteiro e com um pouco de sentimento.
Todos cantando o tradicional “parabéns”, na mesa, tortas, doces e salgados. Ele preparava-se para soprar as velinhas e fazer o pedido, o mesmo que fazia todos os anos, mas não era atendido: - Desejo que todos desapareçam.
Desde cedo o filho foi incentivado a brigar, lutar pelos seus desejos, impor suas vontades. Cresceu sem limites, a mãe dizia. Adulto, drogado e louco, só um tiro foi capaz de detê-lo, disparado pela mãe.
Toda a semana ele eliminava um, por dinheiro, é claro. Da última vez a vítima estava armada e reagiu. Ladrão morto no meio da rua, ao vivo no telejornal.
Depois de apanhar pela terceira vez, ela fugiu. Mas ele mudou, todos disseram. Durante a reconciliação ele a matou com seis facadas, realmente ele tinha mudado.
Naquela noite ele matou vários. Isso lhe dava força, energia. Já era tarde para retroceder, estava envolvido demais. Quando desligaram a luz ele teve plena consciência do seu vício, os jogos eram sua vida.