Wednesday, November 07, 2007

Omissão


Andava esquecendo. Palavras, objetos, autores dos livros preferidos.
Esqueceu de viver.

Vindita


Nunca esqueceu a maldita empregada que lhe trancava no armário do sótão. Até batizou uma das bonecas com o nome dela - Inácia. Quando ficava com raiva, alfinetava Inácia sem parar.

Friday, November 02, 2007

Traquinas


Clara e Amanda eram inseparáveis nos seus sete anos de idade. Primas que eram irmãs.
Quando Amanda sumiu todos procuraram aflitos e não deixavam Clara ajudar, tinham medo que sumisse também.
Só depois de quatro horas ela conseguiu correr e encontrar a amiga embaixo da cama.

Wednesday, October 24, 2007

Escárnio


A raiva não escolhe criatura. Apodera-se e toma as entranhas de qualquer ser. Ele, inesperadamente mata. Desfaz-se do corpo e segue a vida, até que a soberba o revela.


Obs: inspirado no conto de Edgar Allan Poe, O gato preto.

O gato

Odiava o bichano, e ele sem dar importância ao meu sentimento, enrodilhava-se nas minhas pernas. Ronronava e lambia seu pêlo preto que voejava pelo tapete. Matei-o por higiene, mais que por nojo ou prazer.
Obs: inspirado no conto de Edgar Allan Poe, O gato preto.

O gato preto


Quando criança foi dócil, e comedido. Ninguém poderia imaginar que seria um adulto violento. Matou os quatro gatos da mulher, cruelmente, por último o preto, que foi emparedado com ela no porão.


Obs: inspirado no conto de Edgar Allan Poe, O gato preto.

Friday, October 12, 2007

Singela comparação


Ultimamente as balas não tinham mais o mesmo sabor. Talvez a idade, já não era mais criança.
Quando matou o primeiro tinha apenas doze anos.

Apenas uma escolha

Assim, em frente ao espelho, olhava seu corpo. Pernas bonitas, seios firmes, olhos grandes. Cabelo preto e brilhante. As unhas bem feitas - vermelhas. A boca perfeita que sabia beijar e iludir qualquer um. Podia ser modelo.
Mas o pai decidira bem cedo – prostituta.

Friday, October 05, 2007

Extravio

À noite, quando a casa dormia, escondida, ela escrevia poesias.
Dizia do que via nos dias, no vento, na chuva. Dizia do que sentia e não revela a mais ninguém.
Disse muito, sobre tudo.
Tanto, que virou palavras, perdidas nos cadernos, nas paredes, na terra solta do canteiro do jardim.

Homicídio singular

Quando jogou seu bebê no rio todos a condenaram.
Como podiam fazer isso?
Ela apenas o livrou da imundícia da realidade, das drogas da favela, da corrupção e da pedofilia.